terça-feira, 7 de junho de 2011

- ' Onde ele está?




Te olho, não te sinto. Te sinto, não gosto. Te gosto, não amo. É estranho, eu novamente tenho aquelas velhas questões a te fazer. Mas agora reformulo as perguntas, e quero novas respostas, concretas. Os sintomas da paixão estão aqui, mas o coração não. Ele parece que saiu de viagem e não terá volta tão rapidamente, você o levou mas não cuidou. Esse vazio aqui dentro me diz que é seu o que falta, mas não mereces. E nem está fazendo merecer, não é mesmo? Se merecesse realmente, não falaria com ela. Não daria aquelas investidas idiotas em outra enquanto um coração está em suas mãos. Já percebeu o quão frio consegues ser? Pelo menos já parou pra pensar, que um coração pode se machucar? O meu não é uma exceção.
Ele bate acelerado em suas mãos, mas você o segura com mais força e acha que tudo acaba bem. Não está bem. Minhas mãos passaram por outras esses tempos, mas meu coração continua aí, nas suas. Pra que continuar então, se o pulsador só gosta do teu colo, do teu aconchego, das tuas palavras - por mais idiotas, e dolorosas as vezes -. Além de tudo, você gosta de tudo isso, eu gosto. E acho, sinceramente, que amo novamente. 


Onde está meu coração afinal, a não ser em suas mãos? Eu o quero. Ambos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

- ' Do Avesso.



Me sinto do avesso. Com beleza interna, ao invés de ostentar um corpo maravilhoso e rosto perfeito lhe apresento minhas palavras calmas ou estressadas, minhas piadas sem graça, meu silêncio meio alto e falante, minha bondade as vezes meio cruel. Quando tenho que ir pra direita, meu coração aponta pra esquerda. Quando tenho que amar, vejo como amigo, quando tenho que ser só amiga, o coração acende. Ao invés de dialogar eu prefiro engolir e deixar essa passar, mas saiba, na próxima não passa da garganta e volta com chicoteio de palavras. Sorrio quando tenho que chorar, choro quando tenho que sorrir. Grito quando não preciso, e quando dói, eu engulo. Vou me enchendo, lotando de uma briguinha ali, outra discussãozinha lá, e acabo explodindo aqui. 
    E hoje eu vim, meio dos avessos, pra tentar me entender. É só comigo isso? Esse negócio de fazer tudo ao contrário não é legal. Como sempre tenho essas questões, será que só eu tenho essas interrogações? Porque parece que todo mundo é exclamação, e pontos finais. Só pra finalizar, um aviso: esse negócio de amor que era pra ser amizade, amizade que era pra ser amor, isso é de tontear o mundo e quebrar o coração, viu? Toma cuidado, segue outro rumo, foge enquanto é tempo, pois o mundo é complexo.

                                                     Ser normal hoje é ser do avesso.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

- ' Minha Máscara.


As pessoas vêem o que querem ver, elas me perguntam se eu estou bem, mas porque é um modo educado de iniciar uma boa conversa. Eu sei e elas também sabem que eu não vou sair gritando para ninguém que eu estou sentindo uma dor sufocante. Tudo que eu faço é sorrir, gargalhar, fazer piadas para quem está por perto e dizer que tudo está bem. Eu ouço os problemas dos outros e ajudo no máximo que posso, dou um abraço apertado e peço para eles ficarem calmos porque eu sei que tudo vai dar certo. Não importa se o meu mundo está acabando, não importa se eu estou me sentindo a pessoa mais vulnerável do mundo.. Quando eu coloco os pés para fora do quarto, para fora de casa, eu visto a minha gigantesca armadura. Mas quando eu volto pra cá e paro em frente ao espelho, meu reflexo sussurra: "Por que você está tentando enganar a si mesma?". Mas tudo que eu penso é: ninguém foi capaz de ver além da casca, ninguém foi capaz de reparar que as minhas feridas estão ardendo, ninguém foi capaz de me oferecer um ombro depois que eu soltei uma risada nervosa. Não quero contagiar ninguém com a tristeza que me atinge de vez em quando, mas eu só queria alguém que reparasse de verdade em mim e soubesse que esse meu teatro é para me proteger, para proteger os outros. Meus sorrisos não são falsos e minha alegria exposta também não, são apenas escudos.


                                      " Sorria, qual é a utilidade do choro?
                            Você vai descobrir que a vida ainda vale a pena..
                                              Se você apenas sorrir ". 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

- ' A Fuga.


Ela decidiu correr. Sem direção e sem hora certa para parar. Ela só precisava correr. As lágrimas sendo levadas embora pelo vento que batia forte contra seu rosto. Os lábios que estavam vermelhor e trêmulos estavam forçados a se materem pressionados um contra o outro. Os cabelos voavam de forma desarmoniosa e se embaraçavam a cada passo percorrido. Ela estava fugindo, sim. Ela precisava fugir. Ela não sabia se teria algum êxito com tal tentativa de fuga, mas ela precisava tentar. Sem olhar para trás por cima dos ombros, porque senão ela tropeçaria e cairia. Só correr. Olhando para frente e prometendo para si mesma: " Essa foi a última vez que eu amei, que eu me feri, que eu feri alguém ". Ela só não sabia que, logo ali na frente, ela trombaria com um rapaz que estava vindo correndo da direção oposta. É esse o ciclo da vida: você ama, você sofre, você jura nunca mais amar, você foge, mas quando você menos espera.. Está começando tudo de novo.

Amores são eternos, paixões são passageiras.